Assim Buda na posição do lótus,

diante do pc dormias

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O rosto desabitado, as emoções

na orla de ti mesmo.

Frio resplendor de gato opaco, centrando-se.

Na noite.

Noites imensamente.

Noites virtuais, vertiginosas noites,

perplexas.

Noites de pelagem leve,

noites que saltam como feras.

Noites como fotografias - irrevelações.

 



Não mostres a cara,

desconhecido.

A tua beleza por email

é doutro estilo.


 

Os dedos selvagens 

descascam penumbras

como se percebessem alguma coisa de

poética.

Não se entendem no teclado,

as línguas tão diversas como bárbaras.

Mas vão-se degustando 

no banquete da internet

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Tanta pureza se ensina nas escolas, 
santo Deus!
 
Tanta censura nos servidores 

americanos -

e para quê?

Tanta repressão 

em nome da altura,

tanto segredo em nome do ouro,

tanto silêncio em torno da burla,

quando o inferno somos todos.

E sobre isso o gato passa

o olhar oblíquo, à espera.

Quando paraíso somos nós

neste virtuoso espaço

sem odores nem mãos tocadas

mas em que teclas

com sabor a cravinho e a 

noz moscada

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No faustoso silêncio da linguagem,

o ar falta por ser ventania,

o sistema falha, a quarentena enche-se de vírus

que aprontam uma reguada,

mas eis que chega a poesia

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 Aberto o livro das suas liberdades

vê-se que é uma árvore. 

Uma árvore erótica,

com ramos de afecto e algumas personagens:

eu-tu-ele.

Um espelho à volta basta para as mutar em

multidão.

Escrevem-se. 

Usam caixilhos para prender as palavras, 

tabelas para agrilhoar as imagens

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São telegráficos, rápidos, mortais.

Abraçam-se como figuras polidas,

beijam-se como quem tem sono,

mas nas terríficas avenidas da internet

o turbilhão de emoções domina tudo.






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